Se você abriu o calendário de 2026 e não sentiu um leve tremor na base do crânio, você provavelmente é o dono da empresa — ou está vivendo em Nárnia.

Para o restante de nós, os “carregadores de piano” da tecnologia e da gestão, 2026 não é apenas um ano novo. É uma tempestade. Temos um festival de feriados caindo em terças e quintas, uma Copa do Mundo para sequestrar a atenção de todos, eleições batendo na porta e uma Reforma Tributária que vai exigir de TI um esforço que ninguém planejou no orçamento.

Se você acha que vai resolver isso com uma “Daily” de 15 minutos e um post-it colorido, sinto te dizer: você está prestes a fundir o motor.

Neste artigo, vamos parar de fingir. Vamos falar sobre a matemática cruel da produtividade, o hype mentiroso da Inteligência Artificial e por que o “Agile de Taubaté” está matando a sua equipe. Se você quer chegar em dezembro de 2026 com a saúde mental intacta (e com entregas reais no currículo), este papo é para você.

1. A Matemática do Desastre: Por que 2026 vai encolher?

A primeira premissa da gestão é o tempo. E em 2026, o tempo é um recurso escasso e sabotado.

Lembra de 2025? Pois é, 2026 vai fazer ele parecer férias remuneradas. Quando você cruza o calendário de feriados com os grandes eventos nacionais, o que sobra de “dia útil real” é assustador.

Mas a gerência deslumbrada não faz essa conta. Eles olham para o ano e veem 12 meses. Você olha para o ano e vê uma sequência de interrupções. O problema é que a demanda por “projetos críticos” — aqueles que o diretor jura que são para ontem — não vai diminuir. Pelo contrário.

Se você não aprender a métrica da Escassez Real, você vai aceitar prazos que são matematicamente impossíveis. E quando o projeto atrasar (e ele vai atrasar), a culpa não vai ser do feriado ou da Copa. Vai ser sua.

O Raciocínio Lógico é Improvável, mas Real: Se você perde 20 dias úteis no ano com “emendas” de feriado, e sua equipe leva em média 3 dias para retomar o foco total após uma interrupção, você acaba de perder quase dois meses de produtividade líquida. Você está tentando enfiar 12 meses de trabalho em 10. Boa sorte com isso.

2. A Alucinação da IA: Ouro ou Bijuteria?

O papo na rádio e nos portais de notícias é um só: “A IA vai salvar a produtividade”.

Mentira.

A IA, do jeito que está sendo empurrada hoje, é a maior fonte de retrabalho que a TI já viu. Como discutimos na nossa última live, a maioria das empresas não tem uma estratégia de IA; elas têm um “chatbot de Taubaté” que serve apenas para irritar o cliente e gerar código pasteurizado que o seu time de Sêniores (se você tiver algum) vai ter que consertar na madrugada.

O hype criou o personagem do “Sênior de YouTube”. Aquele profissional que assistiu três tutoriais, sabe usar o ChatGPT para gerar um código que “parece” funcionar, mas não tem a menor ideia de como manter aquilo em produção quando a carga subir.

A Premissa da Realidade:

  1. A IA pasteuriza o pensamento crítico.
  2. Código gerado sem contexto gera dívida técnica imediata.
  3. Dívida técnica é o juros composto que o seu time paga com burnout.

Se a IA não for usada como ferramenta de aumento de capacidade para quem já sabe o que está fazendo, ela é apenas um acelerador de mediocridade.

3. O “Agile de Taubaté” e a Babá de Adultos

Chegamos ao ponto que dói: a metodologia.

O mercado se apaixonou pelos nomes bonitos. Scrums, Sprints, Squads… mas o que vemos na prática é o “Waterfall com maquiagem”. O diretor quer o escopo fechado, o prazo fixo e o preço baixo, mas quer chamar isso de “Agilidade” porque soa moderno.

O resultado? Agilistas que viraram babás de adultos. Gente que gasta 8 horas por dia cobrando preenchimento de card no Jira, mas não consegue resolver o bloqueio técnico que está travando o desenvolvedor há três dias.

Na nossa conversa de trincheira, o consenso foi claro: Agilidade que não gera entrega rápida é apenas um abraço coletivo em árvore. Se o seu processo exige mais tempo de reunião do que de execução, você não é ágil. Você é burocrata. E em um ano como 2026, onde cada hora vale ouro, a burocracia vai ser o prego no caixão do seu projeto.

4. O Caminho da Sobrevivência: O “Não” Estratégico

Como sobreviver a isso? Com honestidade brutal.

A única forma de entregar algo relevante em 2026 é focando em um projeto estruturante por vez. Eu sei, o pessoal da área de Negócios vai gritar. Eles vão dizer que tudo é prioridade P0.

Mas aqui vai a verdade nua e crua: Quem tem 10 prioridades, não tem nenhuma.

Limitar o WIP (Work in Progress) não é preguiça. É engenharia de fluxo. É melhor entregar um projeto que mexe o ponteiro do lucro em junho do que ter cinco projetos “quase prontos” em dezembro que não servem para nada.

O “Sobrevivente do Caos” precisa ter a coragem de olhar para a diretoria e dizer: “Se a gente fizer tudo isso, vamos entregar lixo. Qual dessas buchas realmente paga as contas?”.

5. A Falha de Comunicação: TI vs. Negócio

O Alan trouxe um ponto vital: TI não quer escutar o Negócio, e o Negócio não sabe o que pedir.

Essa barreira é o que gera o desperdício. O desenvolvedor se orgulha de usar a tecnologia mais nova do mercado (o hype pelo hype), enquanto o cliente só queria que o botão de “Esqueci minha senha” funcionasse.

Em 2026, com menos tempo e mais pressão, não há espaço para “ego tecnológico”. Se a solução técnica não resolve a dor do cliente, ela é desperdício de dinheiro.

O Antagonista aqui é o Ego. O ego do gestor que quer ser vanguarda e o ego do dev que quer usar o framework do momento. Enquanto eles brigam, o projeto afunda.

6. O Desafio das Gerações: Do Sênior ao Estagiário

Trabalhar com quatro gerações ao mesmo tempo é como tentar reger uma orquestra onde cada um toca um ritmo diferente.

Temos o pessoal de 65 anos que viu o bit e o byte nascerem, e os jovens de 18 que acham que a vida é um Reels. O jovem tem o imediatismo; o sênior tem a casca.

O problema é que o mercado forçou o “Sênior imediato”. Promoveram gente sem maturidade relacional para cargos de liderança apenas para bater meta de RH. O resultado? Líderes que não sabem dar feedback e liderados que levam qualquer correção pro fígado.

Se você quer que seu time performe em 2026, vai ter que investir em Educação Real. E não, não estou falando de curso de 10 minutos. Estou falando de maturidade relacional. De aprender a conversar, a ouvir e a questionar.


Conclusão: O que você vai ser em 2026?

Você tem duas escolhas para o próximo ano:

  1. Ser o “mártir da produtividade”, aceitando todos os projetos, todas as promessas de IA e morrendo na praia em agosto com um burnout e um projeto inacabado.
  2. Ser o gestor de premissas, que encara o calendário de frente, limita o trabalho, foca na entrega real e prova — com dados e resultados — que menos é, de fato, muito mais.

O ano de 2026 vai ser um divisor de águas. Ele vai separar os amadores que vivem de promessas dos profissionais que dominam a lógica.

Se você sentiu que este artigo descreveu exatamente o “bololô” que está a sua empresa hoje, você precisa sair da teoria e ver a prática.

Na nossa live, a gente abriu a “caixa preta” da gestão real. Sem filtros, sem termos em inglês para parecer chique e com a sinceridade de quem já teve que explicar atraso de projeto crítico para vice-presidente furioso.

Não espere o avião começar a cair para procurar o paraquedas.

Eu liberei os cortes dessa conversa lá no canal. São vídeos curtos, direto ao ponto, perfeitos para você assistir enquanto foge daquela Daily inútil que não resolve nada.

Assiste lá e aprenda como não ser a próxima vítima do caos corporativo.

Mais Sobre meus conteúdo Aqui em baixo!

Livro Velocity: https://amzn.to/4kCWUPU

Clique Aqui para saber mais e me procure para fazer mentoria.

Livro: Use Icebreak para mudar seu contexto.

Compre o Livro de Métricas do Scrum

Conheça o Fórmula Ágil. www.formulaagil.com.br

Acesse minha mentoria: Mentoria Pocket

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *